Arquivo de Junho, 2009

29
Jun
09

Mercador de ilusões

Nesse mercado vendes sonhos, crias necessidades inexistentes. Empenhas futuros a médio prazo. Neste mercado nada produzes. Degolas e deixas exangue, sem misericórdia, o primeiro cordeiro de libação que entrar pela porta. És sanguinário tu, mercador de sonhos; os outros vão desistindo, um a um.

Nesse mercado foges da objectividade, ofuscas os números. Fazes amizades forçadas em troca de envergonhadas asserções. Muitos voltam, arrependidos. Mas tu, mercador, mentes. Mentes, convences e vais-lhes sugando o pouco sangue que lhes resta, gosta a gota.

Quanto mais carente o cordeiro, melhor. Mais fácil se torna o comércio das fantasias. És vampiro, tu, mercador de sonhos. Exploras o infortúnio, a miséria alheia, tu! Perdeste a alma em algum lugar do qual já não te recordas. O teu sorriso forçado é tão óbvio que só uma presa cega não o vê. Por momentos, convences-te de que há virtude no que fazes. Não há. Apodreceste já por dentro, tu!

24
Jun
09

Natureza Morta

natureza morta