
Não guardo muitas memórias da primeira infância. Há uma que persiste e que regressa nestas horas em que o cansaço há muito se instalou e o sono tarda. Lembro-me, como de um sonho, de me esconder, talvez já na altura de mim, numas débeis caixas de madeira, vindas não sei de onde e que o meu pai amontoava a um canto da quinta, para depois fazer lenha para a lareira. O vento, a chuva, o frio, tudo ficava do lado de fora. O ritmo da água nas paredes embalava-me e ali, apesar da fragilidade aparente, sentia-me aconchegado, tranquilo. No mais inseguro dos locais, só, conquistei o meu tesouro de solidão. Não Te conhecia ainda, mas já estavas comigo.










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