Arquivo de Novembro, 2008
Come as you are
Hallelujah
Cohen compôs, Buckley sublimou.
Espelho
O coração dispara. Uma ansiedade violenta, mas não estranha, enfraquece-me as mãos. São duas da madrugada, levanto-me. Escrevo ao computador, no meu bloco seria difícil. Será da playlist? Demasiado frenética? Depressiva? Do lixo que tenho lido, ouvido, vivido? Não sei. Gosto de adormecer ao som das melodias, mas hoje só empolam ainda mais as trevas de dentro.
Enquanto escrevo o coração desacelera, a respiração volta lentamente ao normal. A escrita tem o condão de encerrar em si as mais violentas emoções; os meus demónios exorcizo-os na tela do computador ou no papel. Inebrio-me com as imagens que vão passando velozmente pela mente e não descubro qual de vós me roubou o sono. Cruzo os braços procurando conter-me um pouco mais, mas o desconforto imenso que vem de mim não suaviza, castiga-me. E a escrita, de paliativo vai passando a espelho. Não me socorre mais, transforma-se num autómato de ideias e emoções mal reflectidas. Antigamente, a insónia era provocada pela torrente de pensamentos, preocupações do dia-a-dia. Hoje, é provocada por um mal-estar que não compreendo, sobre o qual não tenho qualquer controle. É um coração acelerado, uma falta de ar ansiosa. O espelho questiona-me sobre o que faço. A escrita não flúi, nem me acaricia. Pelo contrário, olha-me cinicamente nos olhos e ri-se da pequenez da minha vontade. Fujo-lhe de volta para os lençóis. Amanhã será mais terna, talvez.
I like rusty spoons
Para quem ainda não conhece a pequena criatura verde neurótico-depressiva, chama-se Salad Fingers e está aqui.
“Adivinha o Quanto Gosto de ti”
Fui sabendo no contacto com familiares e amigos que cada vez mais daquelas pequenas fábricas de cocó e dores de cabeça andam a trautear uma música de André Sardet, qualquer coisa a ver com ir à Lua e com o tamanho de diversos objectos, que vão aprendendo no canal panda. Deixo uma pergunta aos incautos pais: não sabeis vós que produtos tóxicos podem provocar perturbações no crescimento das pequenas criaturas? E perguntais-me vós: Não é isto uma música para crianças? Fofinha e tal, o vídeo com flores e o camandro? Bom, e se fizéssemos uma análise a pequenos excertos da letra do Sr.?
Primeiro:
“Já pensei dar-te uma flor / Ou um bilhete, mas nem sei o que / escrever… / Sinto as pernas a tremer / Quando sorris p’ra mim / Quando deixo de te ver. / Vem jogar comigo um jogo: / Eu por ti e tu por mim… / Fecha os olhos e adivinha”.
Isto é o tipo de “letra” que gostaria de ter quando adolescente e o tipo de lábia que fará qualquer hipotético adolescente levar chumbo ao cantá-la a qualquer hipotética filha minha! Nem me atrevo a “adivinhar”…
Segundo:
“Quantas vezes eu parei à tua porta? / Quantas vezes nem olhaste para mim? / Quantas vezes eu pedi que adivinhasses, / Quanto é que eu gosto de ti?”
Para quem, num momento de maior ingenuidade, ainda pôde considerar isto uma música para crianças, peço que façam comigo um pequeno raciocínio lógico: quantas vezes e quando é que passaram por casa de alguém desejando ser olhados e não entraram? Isso aconteceu comigo algumas vezes e não entrei porque o pai ou a mãe dela estavam lá dentro!
Caros amigos, a vós, como pais (já que eu não tive ainda essa felicidade), peço-vos: não permitais aos vossos filhos aprender em tão tenra idade essas músicas do abraço e do beijinho (perspectiva jantar a dois à luz das velas). Deixai o André para a adolescência das criaturas (apesar de tudo gostos não se discutem, certo?). Até porque poderemos estar a fazer crer ao André que até se desenrasca com os pequenitos!
Ps: espero não vir agora a ser tratado como anátema pelos fãs da criatura (da que trova)…
Um deus menor
O deus menor vê-te sofrer
e nada faz
O deus menor vê-te com fome
e olha para o lado
O deus menor vê as tuas lágrimas
e nada diz
O deus menor vê-te cair
e não te levanta
O deus menor vê-te injustiçado
e não te livra do algoz
O deus menor
Sou eu.
Em jornalismo cruzam-se interesses, verdades e visões díspares de uma mesma realidade, todas elas “verdadeiras”, quanto é possível a uma aproximação da Verdade sê-lo. No tratamento informativo do discurso político jogam diversos factores, desde o conhecimento por parte do jornalista em relação à realidade retratada, à distorção ideológica dos factos. A quantidade e o à vontade da (des)informação que circula, nomeadamente através da Internet possibilita, por um lado, um acesso mais completo a esta, no entanto sem a qualidade muitas vezes desejável. Qual o papel do jornalista no discurso político? Onde fica a Verdade no meio disto tudo? Este é um tema mais do que debatido, no entanto, longe de ser encerrado. Continue a ler ‘Jornalismo, Verdade e Política II’
Pedro Rodrigues, líder nacional da Juventude Social-Democrata, apontou baterias a José Sócrates e ao governo socialista na passada quinta-feira, 14 de Novembro, num encontro com jovens universitários na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
O líder do órgão partidário acusou o executivo de “promover o laxismo e o facilitismo” no ensino secundário. Usando de ironia, afirmou mesmo que José Sócrates “olha para o ensino secundário português com os mesmos níveis de rigor com que acabou a sua licenciatura”. Segundo o responsável partidário, o executivo socialista procura melhorar as estatísticas relativas ao sucesso escolar, em detrimento da capacitação dos estudantes. “Isto é tudo para que os números do insucesso escolar baixem, para o Governo fazer boa figura na OCDE; a malta fica contente porque vai passando de ano e as famílias adoram”, disse.
A organização do Ensino Superior também não escapou ao líder da juventude democrata, que defendeu uma reorganização e concentração dos cursos em função das regiões em que se inserem e o abandono da actual multiplicação de universidades e dos mesmos cursos públicos, por vezes na mesma cidade. Pedro Rodrigues exemplificou com o caso de Lisboa, classificando como um “disparate” a existência de três instituições de Ensino Superior do Estado na capital. “Bem sei que é bom para os reitores; há três reitores, seis vice-reitores, há mais professores”, apontou.











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