ENTREVISTA A PAUL RUSESABAGINA
“Ninguém me veio pedir perdão”
Em entrevista a O PRIMEIRO DE JANEIRO no final do simpósio da Feira, Paul Rusesabagina conta como nunca ninguém lhe pediu perdão pelos familiares mortos no Ruanda. A partir da sua experiência pessoal, explica como África pode ser verdadeiramente livre e qual a responsabilidade do Ocidente e dos africanos. Explica que “não se pode marcar golo estando sentado na bancada do estádio”.
Como vê os acontecimentos de 1994, agora passados treze anos, e como vive com isso?
Imediatamente a seguir, em 1994, três meses depois do genocídio, eu estava muito amargurado, muito zangado com toda a gente, e não queria falar sobre isso. Isolei-me e passei a tratar dos meus negócios, mas apercebi-me que, ao manter isto só para mim, estava a frustrar-me a mim próprio, estava a torturar-me a mim próprio. Decidi então parar de me esconder e falar sobre isso, e percebi então que a melhor terapia na vida é falar. Quando falamos, partilhamos o nosso pensamento com os outros. Quando ao invés de partilhar o que pensamos com outros, guardamos tudo só para dentro, aí sofremos. Também percebi que, se queria que alguma coisa mudasse, eu teria de assumir um papel. Se quiser marcar um golo, suponhamos num jogo de futebol, se ficar somente a olhar na bancada nunca vou marcar um golo. Eu decidi então avançar para o campo e passar a jogar, foi assim que me tornei um humanitário.
Isto é uma pergunta ainda mais pessoal… foi capaz de perdoar os assassinos e as mortes do seu cunhado e das pessoas que lhe eram próximas? Continue a ler ‘Sete Sóis Sete Luas II’










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