Arquivo de Setembro, 2008
Parabéns puto!!
Vila Real (re)visitada
Centro histórico, centro de histórias
Permanecendo uma cidade de reduzida dimensão, Vila Real foi-se expandindo e perdendo população para a sua periferia nos últimos anos. O centro histórico, marcado por zonas como a Rua Direita, é hoje quase exclusivamente comercial. A Voz do Marão faz nesta reportagem o seu retrato, junto de quem ainda hoje ali defende a memória de tempos cada vez mais esquecidos.
Percorrendo as ruas heterogéneas do centro histórico de Vila Real, perdemo-nos com facilidade por entre a variedade de cor que nos chega das tradicionais lojas de artesanato, de antigas pastelarias e cafés, tabacarias, floristas, barbearias, relojoarias e quiosques. Locais como a Rua dos Combatentes da Grande Guerra (Rua Direita), o Jardim da Carreira, a Rua 31 de Janeiro ou a Avenida Carvalho Araújo são alguns dos locais onde se pode encontrar aquilo que de mais pitoresco e característico há na cidade e que se transformam em local de eleição para um passeio de fim de tarde.
Sete Sóis Sete Luas II
ENTREVISTA A PAUL RUSESABAGINA
“Ninguém me veio pedir perdão”
Em entrevista a O PRIMEIRO DE JANEIRO no final do simpósio da Feira, Paul Rusesabagina conta como nunca ninguém lhe pediu perdão pelos familiares mortos no Ruanda. A partir da sua experiência pessoal, explica como África pode ser verdadeiramente livre e qual a responsabilidade do Ocidente e dos africanos. Explica que “não se pode marcar golo estando sentado na bancada do estádio”.
Como vê os acontecimentos de 1994, agora passados treze anos, e como vive com isso?
Imediatamente a seguir, em 1994, três meses depois do genocídio, eu estava muito amargurado, muito zangado com toda a gente, e não queria falar sobre isso. Isolei-me e passei a tratar dos meus negócios, mas apercebi-me que, ao manter isto só para mim, estava a frustrar-me a mim próprio, estava a torturar-me a mim próprio. Decidi então parar de me esconder e falar sobre isso, e percebi então que a melhor terapia na vida é falar. Quando falamos, partilhamos o nosso pensamento com os outros. Quando ao invés de partilhar o que pensamos com outros, guardamos tudo só para dentro, aí sofremos. Também percebi que, se queria que alguma coisa mudasse, eu teria de assumir um papel. Se quiser marcar um golo, suponhamos num jogo de futebol, se ficar somente a olhar na bancada nunca vou marcar um golo. Eu decidi então avançar para o campo e passar a jogar, foi assim que me tornei um humanitário.
Isto é uma pergunta ainda mais pessoal… foi capaz de perdoar os assassinos e as mortes do seu cunhado e das pessoas que lhe eram próximas? Continue a ler ‘Sete Sóis Sete Luas II’
Sete Sóis Sete Luas
VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas Em Santa Maria Da Feira
O indivíduo e o mundo em debate
O VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas trouxe, no passado Sábado, a Santa Maria da Feira diversos actores da cena internacional, dos quais o mais célebre seja talvez Paul Rusesabagina, que salvou mais de 1200 pessoas durante o genocídio no Ruanda, retratado no filme Hotel Ruanda.
O humanitário Paul Rusesabagina, célebre por ter salvo mais de 1200 pessoas durante o genocídio de tutsis no Ruanda em 1994, o jornalista e filósofo francês Bernard-Henri Lévi, o escritor, poeta e activista contra o racismo marroquino Tahar Ben Jelloun e o psicanalista e professor catedrático português Carlos Amaral Dias foram os convidados presentes no VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas – IDENTIDADES: diverCIDADE global moderado pelo jornalista Carlos Magno no passado Sábado no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira. O tema abordado pelo painel de oradores versou sobre temas como os direitos humanos, a ética, a identidade e o valor do indivíduo nas sociedades.
Escolha de uma vida
Em 1990 teve início a guerra entre hutus e tutsis, sendo que os segundos se deslocaram para as colinas ocidentais do país. Paul Rusesabagina mostrou ter bem presente a memória do dia 6 de Abril de 1994, em que o avião presidencial foi abatido. Encontrava-se em plena celebração familiar, com o seu cunhado e respectiva esposa. “Essa foi a última vez que vi o meu cunhado, pois eles foram massacrados”, disse. A morte do presidente terá sido o incidente que culminou com a barbárie que, nos três meses seguintes, levou à chacina de aproximadamente oitocentos mil ruandeses, sobretudo de etnia tutsi.
Foi nessa altura que Paul Resesabagina se viu perante a escolha que influenciou toda a sua vida desde então. “Estava numa situação complicada e decidi pelo melhor”, confessou. No dia em que os militares lhe bateram à porta, Paul tinha mais de duas dezenas de pessoas, entre familiares, amigos e vizinhos, em casa, que procuraram junto de uma pessoa com alguma influencia local uma protecção relativa. Quando os militares lhe pediram que os acompanhasse este disse que não poderia partir sem a sua família, referindo-se a todas as pessoas que se encontravam com ele. Paul chegou mesmo a ser confrontado com uma ordem para que assassinasse aqueles que com ele se encontravam, e teve que usar de um forte poder de negociação para chegar com vida e com toda a sua família ao Les Milles Colines. “Pela primeira vez na minha vida tive muito medo. Eu tinha enfrentado o mal e chegado a um consenso”, confessou. Este “consenso” terá passado pela troca das vidas que consigo se encontravam por dinheiro, revelou. Continue a ler ‘Sete Sóis Sete Luas’
A Lei da discórdia
A Lei da discórdia
Segundo o Inquérito Nacional de Saúde vinte e oito por cento dos homens e dez por cento das mulheres portuguesas são fumadores. Todos os anos surgem, em Portugal, perto de 3500 novos casos de cancro do pulmão, sendo que mais de metade dos doentes acaba por morrer. As cifras internacionais indicam que noventa por cento destes casos resultam directamente da inalação do fumo do tabaco. Destes noventa por cento, entre dez e vinte e cinco por cento dos casos resultam do chamado “fumo passivo”. Em 1 de Janeiro entrou em vigor a Lei n.º 37/2007, que veio regular o consumo e a exposição ao fumo do tabaco em locais públicos. Na sua introdução pode ler-se que a mesma “aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo”. Defesa da saúde dos trabalhadores e dos não fumadores, dizem uns, atentado à liberdade individual dos fumadores, dizem outros.
Recordar é viver
Algures em 2001 na Informédia, com o João, o Fábio e a Raquel, entre outros (foto do Fábio & Raquel)
Era um tempo em que tudo parecia enorme, ainda assim ínfimo. Um tempo em que até os maiores desafios se vislumbravam conquistados. Em que tudo era genuíno, as ideias fortes, os objectivos claros. Em que pouco vivêramos, e tudo era sentido intensamente. Passados 7 anos desde os meus 16 (e os 23 da Raquel, os 20 do Fábio, os 13 do João…), esta fotografia parece pertencer a outra era, outra vida. Muito mudou, mudei e vivi, mudámos e vivemos. É difícil agarrar esses pedaços de tempo e reconstruir as vivências na memória, mas elas permanecem vivas nesse estado latente, e basta uma imagem perdida para que possam respirar de novo. É com um sorriso, feliz e melancólico, que revejo estas imagens, e é com felicidade que olho para trás e reconstruo os passos que dei desde então. Olho para esta imagem congelada no tempo e compreendo que a alma que capturou não pertence ao passado. É presente e, acredito, futuro.
O idiota
Mente-te sorrindo, julga que não lhe conheces a alma. Mas tu vês além dos seus olhos maldosos, dos sorrisos iníquos. Eleva-se de cara deslavada, a alma um amontoado de vermes de espírito. E tu tudo vês, tudo sentes, tudo compreendes, com a voz calada e a alma tranquila. Da tua indignação soltas um quase imperceptível sorriso, sabendo que o tabuleiro desse jogo te pertence e que, quem contigo joga não é mais do que, afinal, teu peão.
A meia idade é do catano…
A vida é feita dos pequenos encontros com que a sorte nos sorri por entre tantos desencontros. Há pessoas que são uma dádiva inesperada colocada no nosso caminho, que nos tocam e ajudam a não perder o rumo. Em relação aos quais a memória não esquece, a amizade não enfraquece, a gratidão permanece. Aos quais devemos traços de carácter, ideias e objectivos, dos quais hoje não abdicaríamos. Por quem agradecemos a Deus. Eu tive a sorte de me cruzar com algumas dessas pessoas-dádiva em alguns dos momentos críticos para o molde do ser que hoje sou, pessoas como a Raquel.
Tudo isto para dizer que a Raquel já é uma mulherzinha :p! Estou certo que, daqui a outros 30 (ups, é segredo?) poderei repetir as mesmíssimas palavras! Muitos Parabéns!













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