31
Ago
08

Sonho

A realização do fim de um sonho é a mais cruel das violências. Violentado, o coração nas mãos, as entranhas às avessas. E livre, livre para recomeçar a sonhar. O sonho começa transfigurado em pesadelo, inicio a caminhada. Quedo-me ainda a mirar a paisagem que se desfez, a ilusão que acabou, enquanto as lágrimas correm na alma. As emoções escorrem-me e não encontro as palavras para as segurar. Sacudo o espírito, o corpo imóvel não responde ao apelo da alma, que se esgota. Derradeiro esforço, quebro os grilhões, entranho-me no labirinto. As forças gastas, o caminhar pesado e pesaroso, mas continuo com a incerteza do oculto, a esperança da beleza além-trevas. No punho cerrado o pedacinho de terra de ilusão que não me permitirá esquecer e, por não o poder, regressar. E, por instantes, sou quase um ser inanimado, sem alma, sem espírito, sentimentos, sensações de prazer ou dor. Sem o fardo do pensar com que fui agraciado e amaldiçoado. Anestesiado, tranquilo, feliz.


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