Areia molhada nos pés. Avanço entre o infinito do Oceano e a areia branca. Estou só, absolutamente só, os outros há muito ficaram para trás. A consciência converte-se em emoção e, quanto mais forte, maior a vontade de avançar. Uma hora já passou e o sol queima-me a face. Já não vejo a pequena cidade que ficou por detrás das dunas. Escalo uma das mais altas e demoro-me a observar o Oceano, enquanto vou pensando no que perdi, que me é ainda tão querido e que, na verdade, nunca possuí. Uma saudade incontrolável do presente que deveria ser oprime-me o coração, a respiração inconstante. Bastava um pouco, um pouco só desse presente perdido para retomar a paz, mas o meu seguiu um caminho diferente, que se vai afastando cada vez mais, a crença no reencontro das duas linhas é cada vez mais débil… Regresso e desejo afastar as nuvens de sobre mim, que me seguem e só eu posso ver, enquanto o sol, insensível à minha dor, me castiga o corpo machucado de alma.

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