Não sei o que será pior. Ver o «Janeiro» fechar com alguma da imagem de seriedade e qualidade que foi conquistando ao longo de 140 anos, ou vê-lo permanecer aberto como mais um «gratuito» à imagem de tantos outros que por aí proliferam e que ajudam a asfixiar a imprensa de qualidade. Dado o problema humano criado pelo eventual despedimento de algumas dezenas de colegas, talvez a pior seja mesmo a primeira opção.
Não adianta tentar reavivar algo que não tem sustentabilidade. O “mercado à solta”, só por si, pode não assegurar a falta de qualidade.
O património que tem efectivamente valor. Vale a pena pegar nesse património – em sentido lato: arquivos, pessoas (as que tiverem qualidade), know-how – e aproveitá-lo de outra forma que tenha viabilidade económica. Por exemplo, no caso dos arquivos, colocando os respectivos on-line com acesso por assinatura.
Resta-me, ainda, a solidariedade para com os jornalistas e restantes trabalhadores do Janeiro. Alguns deles com vários meses de ordenado em atraso (sobretudo as equipas dos suplementos locais). Sei bem como aquilo funciona. Vergonhoso.
Mas a realidade também é esta: são precisas tantas redacções a tratar os mesmos temas, de forma razoavelmente semelhante? Não precisamos de 20 redacções a tratar de futebol, nem de 30 a tratar de política nacional, nem de 15 a tratar de assuntos locais do Porto, por exemplo. Há gente a mais a trabalhar separadamente sobre a mesma coisa para um mercado que é pequeno. Muito pequeno.
Acho que é preciso tentar mercados mais alargados, outros temas, etc. Complementaridade, pois concorrência já há; até demais…
Infelizmente não tem havido visão ou talento para isso. O fim do Janeiro está patenteado na adoentada e indigente visão da sua directora.
P.S: E os ordenados? É inconcebível trabalhar 6/7 anos a ganhar 500 euros, mês.. Até, porque é de relembrar, o jornalista trabalha 24 horas por dia, certo(?).
Abraço
Cheira-me que vai passar a gratuito.
Não sei o que será pior. Ver o «Janeiro» fechar com alguma da imagem de seriedade e qualidade que foi conquistando ao longo de 140 anos, ou vê-lo permanecer aberto como mais um «gratuito» à imagem de tantos outros que por aí proliferam e que ajudam a asfixiar a imprensa de qualidade. Dado o problema humano criado pelo eventual despedimento de algumas dezenas de colegas, talvez a pior seja mesmo a primeira opção.
Caro Filipe,
Não adianta tentar reavivar algo que não tem sustentabilidade. O “mercado à solta”, só por si, pode não assegurar a falta de qualidade.
O património que tem efectivamente valor. Vale a pena pegar nesse património – em sentido lato: arquivos, pessoas (as que tiverem qualidade), know-how – e aproveitá-lo de outra forma que tenha viabilidade económica. Por exemplo, no caso dos arquivos, colocando os respectivos on-line com acesso por assinatura.
Resta-me, ainda, a solidariedade para com os jornalistas e restantes trabalhadores do Janeiro. Alguns deles com vários meses de ordenado em atraso (sobretudo as equipas dos suplementos locais). Sei bem como aquilo funciona. Vergonhoso.
Mas a realidade também é esta: são precisas tantas redacções a tratar os mesmos temas, de forma razoavelmente semelhante? Não precisamos de 20 redacções a tratar de futebol, nem de 30 a tratar de política nacional, nem de 15 a tratar de assuntos locais do Porto, por exemplo. Há gente a mais a trabalhar separadamente sobre a mesma coisa para um mercado que é pequeno. Muito pequeno.
Acho que é preciso tentar mercados mais alargados, outros temas, etc. Complementaridade, pois concorrência já há; até demais…
Infelizmente não tem havido visão ou talento para isso. O fim do Janeiro está patenteado na adoentada e indigente visão da sua directora.
P.S: E os ordenados? É inconcebível trabalhar 6/7 anos a ganhar 500 euros, mês.. Até, porque é de relembrar, o jornalista trabalha 24 horas por dia, certo(?).
Abraço