Recordo os momentos em que, por breves instantes, fantasiámos com um futuro diferente. Fantasiei. Deixaste-te, por momentos, imergir no meu sonho, mas nunca te entregaste verdadeiramente à nossa quimera… Hoje não sei mais de ti. Pergunto-me por onde andarás. Pergunto-me porque deixámos, lenta e gradualmente, apagar a memória desse tempo em que fomos crianças em corpos adultos. Prometemos reencontros, julgámos firmar laços, pactos velados inabaláveis. Mas tudo isso desmoronou como uma casa edificada sobre a areia. De repente, só os escombros do que foi, fragmentos incompletos, me levam de volta ao nosso lugar. Distraidamente, foste-te tornando numa imagem cada vez mais difusa, uma fotografia cujo lugar é cada vez mais incerto…
Antigamente, podíamos conversar até ao nascer do sol. As horas, os minutos, os segundos, não eram nada. O tempo tinha uma velocidade própria, só nossa. Mas, à distância de uma carta, de uma chamada, fomos banalizando as nossas palavras, deixámos de ter o que dizer um ao outro. Os nossos mundos separaram-se, abdicámos das palavras um do outro. Dos silêncios partilhados… Recordo-te com saudade e pergunto-me… Quem serás tu hoje? Também te recordarás de mim quando o sono teima em tardar?










Felt that about someone not long ago too…