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Jun
08

Sob as estrelas

Na varanda, quase deitado sob as estrelas, pela primeira vez em muito tempo – pela primeira vez de sempre, talvez – sinto um avassalador sentimento de impotência. Ao olhar aqueles pontos brancos, uma pressão no peito. Inquantificávelmente longínquos, ainda assim visíveis, quase palpáveis. Familiares. E, mesmo com toda a ciência, ser-me-á jamais possível alcançá-los, conhecê-los. Extinguir-nos-emos, provavelmente, como espécie antes disso.

Vou-me extinguir um dia sem ter dado por isso. Sem ter emitido qualquer luz que atravesse o espaço e o tempo. Aqueles pontos deixaram a sua marca. Que marca deixarei eu? Filhos? Amor? Um livro? A memória de um homem de sucesso? Nada disso! Vou passar, tudo o que é meu vai passar, antes que as rochas mudem a sua forma com o tempo…

Abandono a varanda com esta pressão no peito. Só a escrita – só esta escrita – torna o pensamento mais claro. Será? Talvez não… Aquele momento de revelação sob o céu perdeu-se. Fica a breve memória e a cinza. A cinza de uma emoção que não posso desconstruir. Muita cinza…


1 Resposta to “Sob as estrelas”


  1. Junho 29, 2008 ás 7:03 pm

    Sob as estrelas, procuremos apenas caminhar com autenticidade mesmo que não sobrem marcas visíveis, as indeléveis são incontornáveis ;)
    ***


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