Arquivo de Junho 18th, 2008

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O Estado de direito a saque

“Portugal nunca discute o Estado de direito; o único tópico de discussão é o Estado social. O Estado de direito pressupõe a existência de indivíduos. Sucede que os portugueses nunca são indivíduos, e são sempre camaradas de uma corporação qualquer. O português (seja ele juiz ou camionista) só existe através do seu grupo. O resultado desta cultura tribal está à vista de toda a gente: Portugal é dominado por uma confederação de alcateias que vive do saque ao Estado social e do desprezo que garante ao Estado de direito”. Por Henrique Raposo, no Expresso. Aqui.

Valores como a verdade e a razão perdem o sentido neste pequeno “rectângulo à beira mar plantado”. Prevalece a justiça do forte sobre aquele que não tem capacidade reivindicativa. Desde a Interrupção Voluntária da Gravidez (voluntarismo esse unilateral…), às gritantes desigualdades entre os “direitos” (adquiridos) da Função Pública e o sector privado. E, agora, a força das corporações. Dos camionistas, no caso. Atropelaram-se liberdades garantidas na Lei, mas não na coragem das nossas forças de justiça, segurança e governo. Vimos como um pequeno grupo pode paralisar todo um sector (e, em parte, o país), pela lei da força. Também posso fazer uma “paralisação” da minha actividade face aos aumentos do preço dos combustíveis, entre muitos outros. Podiam parar todos os colegas jornalistas. Resultado? Com tudo parado, não se faz notícia, o povo não reage, o Governo não quer saber. Os postos de abastecimento não secariam. E os nossos postos de trabalho seriam rapidamente ocupados por outros com (mais) vontade de trabalhar. Somos um país brando (e de brandos), para o bem e para o mal. Só cedemos pela força da coação bruta.