17
Jun
08

De Konsalik

Aproveitando os dias ociosos, antes de voltar à correria da definição de temas a tratar, contactos e entrevistas a fazer, aproveitei para colocar a leitura em dia. E, agora, a escrita. «Um Pecado Maior», de Heinz Konsalik. Como com outros livros deste autor, como «Peço a Pena de Morte» ou «Uma Família Respeitada», não me foi possível parar de ler até o terminar. De Konsalik não conheço nada, para além da sua escrita e de que é de nacionalidade alemã. É impossível não identificar ou ver nos seus personagens traços da minha própria personalidade. No vilão, em particular – vilão esse nem sempre definido por uma lógica de 2+2=4. Traços que incomodam, que me atiram do meu pequeno altar por mim construído. Mais do que meras falhas, revejo as minhas perversões de carácter, a maldade fria e implacável sempre latente no egoísmo. Egoísmo sempre presente, mais ou menos disciplinado pelas regras e pela conveniência.

Somos egoístas? Sou egoísta? Claro que sim. Posso julgar o seu contrário na corrente dos dias mas, no fundo, todas as cedências, todos os gestos altruístas têm a sua génese uma só coisa: o retorno. Eras de evolução só tornaram as nossas acções e os nossos próprios pensamentos conscientes mais requintados. Ao contrário dos impulsos, que a qualquer momento podem tomar o controle. E Konsalik é mestre no explorar desta fragilidade. Desconstrói, sem necessariamente construir de novo. Não neste último que li. Há uma moral subjacente, o triunfo do mais frágil sobre o predador. Diferente de, por exemplo, «Peço a Pena de Morte», em que todos são um pouco vilões – se não no momento, em potência. E vítimas. Em que, ao invés de uma «solução moral», se fortalece a dúvida. Um autor a (continuar a) descobrir.

“Decididamente, sou um grande sacana. É agora que essa verdade vem ao de cima com toda a nitidez. Mas já não há nada a fazer. Durante cinco anos andei a pensar que era uma pessoa decente… este momento bastou para que esses sessenta meses fossem varridos para sempre da minha vida”.

«Um Pecado Maior»


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