Não me peças para contigo discutir pesadas questões. Prefiro a sabedoria das coisas simples à enciclopédia do saber. Sabe-me melhor a beleza ingénua do natural aos grandes filósofos. Gosto de espelhar as emoções sem grandes considerações metafísicas e de deixar o pensamento vaguear sem rumo. Se me colocas grandes questões imerges-me na angústia de para elas não encontrar respostas. E de que me serve essa angústia, se a felicidade me vem dos pequenos gestos daqueles que amo?
Nem todas as respostas a todas as interrogações da vida me podem transmitir as sensações do calor de um beijo e o toque de uma mão ou da frescura do verde de um parque em dia de sol. Por mais questões que me coloque e por mais respostas que obtenha, serei carregado por seis no fim da carreira. Enquanto me questiono sobre a minha existência não bebo os raios de sol lá fora, não desfruto da presença dos que me são queridos, não escuto os murmúrios da rua. Não, não discuto contigo nem procuro dar-te respostas. Convido-te a sair e viver a vida, ao invés de a deixar fugir entre os dedos enquanto a procuramos entender em vão.











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