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Jornalismo, “verdade” e política

Miguel Portas esteve hoje presente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para falar de jornalismo e política, tendo a verdade andado aos trambolhões lá pelo meio. O tema foi de facto pertinente, uma vez que há cada vez mais uma maior promiscuidade entre jornalismo e política, e todos, jornalistas e políticos, pretendem expor a sua “verdade”. Como disse MP essa “verdade” será sempre uma aproximação da verdade, em essência. Se os primeiros estão sujeitos à pressão dos deadlines, do limite de caracteres e ainda de outras pressões como a linha editorial do meio para o qual trabalham (ou dão o sangue a troco de quase nada…), ou mesmo da precariedade da sua situação que permite que, “pisando o risco”, sejam descartados no dia seguinte, os segundos seleccionam criteriosamente as “verdades” a passar para os “adeptos” - laranja, rosa, vermelho, novamente vermelho (talvez um pouco mais claro) ou azul - e para os “indecisos” em função da posição tomada em relação a determinado assunto. As verdades em política assumem mesmo por vezes uma dimensão de histérica loucura, quando quem defende uma “verdade” hoje amanhã defende outra, só para contrariar o “concorrente” que falou mais alto. Ou quando gritam todos tão alto que ninguém percebe mais quem é quem ou está a dizer o quê.

De qualquer forma, este post serve para partilhar que, depois de algumas semanas algo apáticas, retomei hoje o ritmo de trabalho no qual estava anteriormente viciado - com deadlines e objectivos concretos definidos. Com dois trabalhos feitos, um para a rádio e outro para o OPJ, vou abandonar por agora a poesia triste e dedicar-me a outras canções.


2 Respostas to “Jornalismo, “verdade” e política”


  1. 1 MASR Abril 9, 2008 às 4:24 am

    Cheguei depressa à conclusão que a maior parte do jornalismo é manipulado. Bastaram alguns meses a exercer esta que já foi uma nobre profissão.
    Quando me apaixonei pela profissão (depois estudei ao teu lado) via o jornalista como pessoa distinta, culta, criativa, alguém com capacidades inerentes a quem todas as pessoas reconheciam a “confiança” e acima de tudo via-o como um mediador de paz.
    Isso já não existe. É utópico. Ainda assim, reconheço que alguns, poucos, ainda fazem a diferença.
    Por isso, afirmo que a profissão “jornalista” não está em vias de extinção mas caminha a passos largos para o mergulho fatal no abismo.
    O papel do jornalista moderno está no desafio de ajudar a ler o Mundo. Este é o desafio que deveria estar intrínseco nas redacções por efeito de aprendizagem. Só que elas não estão preparadas para isto. A velha guarda que ocupa os cadeirões não estudou, não tem ideias e não aceita a superioridade de alguém que não tem tanta experiência, mas que tem outra visão e dá outro caminho à leitura horizontal na forma como é descrita a profissão. Também ninguém me ensinou na universidade (coitados, não sabiam mais, no entanto, o canudo pesa sempre), mas cedo percebi qual o trilho certo para percorrer. Jornalismo não é escrever as orações gramaticais correctamente.
    O empobrecimento do jornalismo deve-se, sobretudo, aos maus profissionais e tem como consequência a tal promiscuidade de que falas.
    Depois, o jornalismo vive exclusivamente da publicidade, logo obedece aos critérios e à visibilidade dos patrocinadores. Ninguém pode negar isto. Esta é a realidade. Senão, porque razões existem os gratuitos?
    Depois encontramos alguns no jornalismo que não sabem e não sabem que não sabem. Enfim, sofrem de amência.
    Palavras para quê? Comentários, críticas, apelos à razão, nada disso tem efeito algum. O jornalismo em Portugal é parcial, enviesado e boçal. Tem como único objectivo o título do dia. Critérios editoriais? Naaaaaahh. Estamos em Portugal? Simmmm.
    Os políticos aprenderam depressa as regras do jogo. O miguel portas (em letra pequena) sabe bem isso.
    Abraço e êxito para os teus projectos

  2. 2 Inês Aroso Abril 11, 2008 às 10:46 am

    Gostei especialmente das questões que os dois alunos de 3º ano de CC, Manuel e Nuno, colocaram ao Miguel Portas no final da conferência. As respostas dadas pelo palestrante não terão estado, na minha opinião, ao nível das vossas questões. Saber o que perguntar é uma principais habilidades requeridas ao jornalista e vocês provaram que são capazes disso mesmo.

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