02
Abr
08

O Protestante convicto

Apesar de este blogue se pretender tão-somente um espaço acolhedor dos devaneios do dia a dia, sinto-me na obrigação de deixar uma nota aos companheiros que “questionaram” as, até ao momento poucas, suas referência cristãs.

Sou cristão. Protestante. Evangélico. E, se quiser ser ainda mais preciosista, Baptista-pentecostal. Escolhi-o livremente e hoje faz parte do mais íntimo do meu ser. Dizer que sou cristão é como dizer que me chamo Filipe, que tenho 23 anos, que gosto de escrever e que me presumo jornalista. Não escolhi o anonimato em relação ao meu nome (passa a redundância), jamais o escolherei em relação a algo que não posso nem quero dissociar do resto daquilo faz o “eu” como um todo. E que me orgulha.

Se bebes Voltaire ou Nietzsche eu bebo Paulo (mais uma vez, o apóstolo). Bebo Samuel, bebo o Torah, bebo o Cântico dos Cânticos, bebo o Eclesiastes. Bebo Mateus, Marcos, Lucas, João (os evangelhos). Bebo os Salmos. E com eles bebo ética, poesia e filosofia. E se um dia me ofereceres Voltaire ou Nietzsche, o saber não ocupa espaço, bebê-lo-ei também.

Perguntas-me se a influência cristã não me limita. Não! Liberta-me. Liberta-me pois não me prende com preconceitos. Estar seguro (seguríssimo) de algo permite-me livremente aprofundar outros conhecimentos, sem medo. Pergunto-te: se te oferecer o Torah, ou os Salmos, ou os evangelhos, ou uma epístola de Paulo, bebê-los-ás tão prontamente? E se recusares, a que se deve a tua recusa? Ao preconceito - ou limitação de que me acusas? Ao medo de vir a conhecer algo de que não estavas à espera? Ou temerás no íntimo descobrir algo que, apesar do teu auto-presumido intelecto “melhorado”, te desconstrua? Se do teu ateísmo (pelo qual nunca te critiquei nem trocei) te fazes mais fundamentalista do que eu do meu cristianismo (que nunca te procurei impingir), então és mais religioso do que eu. Acreditas cegamente numa “verdade”, numa “fé”. E és mais “crente” do que eu alguma vez fui.


2 Respostas to “O Protestante convicto”


  1. 1 Raquel Coelho Junho 3, 2008 às 12:20 am

    olá amigo,

    Continuas a escrever super bem…Parabéns.

    Beijos, Raquel

  1. 1 O que de melhor se escreveu por aí, em Abril. « A verdade da mentira! Pingback em Mai 10th, 2008 às 7:02 pm

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