Arquivo de Abril, 2008

30
Abr
08

no balanço da Queima…

Alguns dos meus melhores amigos, de entre os quais uma bela amizade tão próxima feita em terras distantes, fizeram desta uma semana muito especial. A distância traz a saudade e, saciá-la, só aumenta a força dos afectos e das vivências em comum. O meu sobrinho, o irmão mais novo que não tive, deu o ar da sua graça, depois de mais de um ano de ausência pelas transmontanas terras, fazendo ainda mais animado o fim-de-semana. Fiz os meus primeiros directos e reportagens para rádio e ainda soube que o meu estágio profissional já foi aprovado.

Pela primeira vez em muitos meses reunimo-nos os quatro, num abraço sentido que até fez o nosso lisboeta amigo derramar uma lágrima! E a semana culminará com uma saudosa visita de Leste do meu período Erasmus e mais uma noite de Queima, desta feita na cidade que se veste de negro e que será sempre “a dos estudantes”, numa companhia que não poderia ser melhor. Agora, ainda na cama depois de uma noite muito bem passada e ainda mais mal dormida, sinto-me pois com a força de um titã, só os deuses me poderiam arrancar o sorriso dos lábios.

25
Abr
08

Amanhã…

Escrevo com o sol da manhã a invadir-me já o quarto, depois de uma noite bem passada com algumas das pessoas com os papéis de maior destaque na minha vida. Escrevo com as forças gastas, mas o ânimo redobrado pelas expectativas dos dias que nos esperam. E escrevo com a simbiose de paz e desassossego pelos desejos não realizáveis. Busco sonhos e metas aos quais me agarrar mas, exausto, a memória atraiçoa-me. Em vão, procuro estruturar as minhas emoções em verbo, no entanto os olhos pesados teimam em fechar e vou rendendo a minha vontade ao meu corpo. Enquanto isso, deixo-me ir aconchegando nos lençóis tendo-vos no pensamento, enquanto te procuro colocar do seu lado, o único aonde pretendes estar. Mas esse é um esforço demasiado pesado para esta manhã e tu não te moves. Deixá-lo-ei para dias melhores, com um «eu» mais forte e mais convicto. Para um amanhã diferente, talvez.

24
Abr
08

The clock is ticking…

…e não pára

21
Abr
08

ágape

E porque, num espírito de amor e amizade, sabe sempre bem arrepiar a espinha aos meus queridos e ateus amigos, com quem tenho o sincero prazer de partilhar o dia a dia, aqui fica um dos mais belos poemas, encontrado na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios , capítulo XIII (tradução Ferreira de Almeida, versão revista e corrigida). Para que, se possível, lhes dê um nó de desdém na garganta. Mas sempre com carinho, claro!

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,

não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;

não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;

tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará;

porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três. Porém o maior destes é o amor.

Agora dando descanso aos meus ateus amigos: Espero que nenhum nó tenha surgido na garganta!

Vi-me obrigado a reflectir sobre o valor do amor e da amizade (ela a mais perfeita forma de amor, talvez), e não encontraria em mim palavras tão lúcidas como as que acima transcrevo. É plágio, bem sei. Felizmente os direitos de autor expiram passados (se não me engano) 70 anos após a vida do mesmo. E o autor, neste caso, já se terá finado há mais de 1800. Tudo dentro da legalidade, portanto.

19
Abr
08

Persevera

Os passos largos e a cabeça baixa denunciam o meu desconforto face ao chicote do vento e da chuva, enquanto me dirijo a pé para o restaurante, após intermináveis horas a realizar a mesma tarefa repetitiva e que se fundem numa sensação que me faz perder a noção do tempo. Enquanto janto só, sou inadvertidamente envolvido no núcleo e na conversa de pessoas com as quais não me cruzei por mais do que uma vez. As palavras simples atraiçoam a vontade de exprimir ideias e revoltas mal compreendidas. Esforço-me por buscar às poucas energias ainda não gastas a concentração necessária para lhes dedicar a atenção pedida. Em vão. A vontade é pouca e, desonestamente, recorro à minha carteira de clichés para lhes dar algumas respostas, enquanto imagino o quão bem me faria uma cama acabada de fazer. Apesar de saboroso, não me sabe bem o jantar. Pago, troco mais algumas palavras sem sentido e das quais já não me recordo e volto a enfrentar o vento e a chuva.

Entro no café, onde está já à minha espera uma doce companhia que me devolve alguma da energia com a qual acabo por enfrentar a madrugada. A empatia omite o tremer das forças, e poderia prolongar a troca de palavras e de silêncios, que a amizade se encarregou de fazer confortáveis, talvez cúmplices, pela noite adentro. Trocamos desabafos, receios e expectativas, enquanto vou, no meu íntimo, temendo poder vir a abdicar da sua presença quotidiana na qual tenho tanto prazer e que faz já parte da minha vida.

Procuro animar-te, talvez em vão, com a expectativa dos dias melhores que o futuro terá guardado. Custa-me o desânimo nos teus olhos, e dói-me ainda mais não o poder tomar de ti. Sofres com a realidade actual, que não se adequa à força dos teus ideais, talvez temas que a firmeza dos teus passos se deixe quebrar pelas frustrações do presente… Não desistas pelo caminho pois tens força para continuar, apesar das pedras que te forem magoando os pés. Aperfeiçoar-te-ás entretanto e, no fim, sairás ainda mais forte.

19
Abr
08

Porque hoje é dia de country…

All I Want Is You

If I was a flower growing wild and free
All I’d want is you to be my sweet honey bee.
And if I was a tree growing tall and greeen
All I’d want is you to shade me and be my leaves

All I want is you, will you be my bride
Take me by the hand and stand by my side
All I want is you, will you stay with me?
Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were a river in the mountains tall,
The rumble of your water would be my call.
If you were the winter, I know I’d be the snow
Just as long as you were with me, let the cold winds blow

All I want is you, will you be my bride
Take me by the hand and stand by my side
All I want is you, will you stay with me?
Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were a wink, I’d be a nod
If you were a seed, well I’d be a pod.
If you were the floor, I’d wanna be the rug
And if you were a kiss, I know I’d be a hug

All I want is you, will you be my bride
Take me by the hand and stand by my side
All I want is you, will you stay with me?
Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were the wood, I’d be the fire.
If you were the love, I’d be the desire.
If you were a castle, I’d be your moat,
And if you were an ocean, I’d learn to float.

All I want is you, will you be my bride
Take me by the hand and stand by my side
All I want is you, will you stay with me?
Hold me in your arms and sway me like the sea.

Barry Louis Polisar

16
Abr
08

Um post ligeiro…

As coisas que eu aprendi durante a elaboração do Boletim Voz Do Marão:

  1. A Cruz Branca de Vila Real utiliza uma «peça de museu» de 1958 no combate aos incêndios florestais;
  2. A PSP de Vila Real já não tem carros de precisem de pegar de empurrão;
  3. O álcool pode provocar uma dependência semelhante à da heroína;
  4. A UTAD perdeu mil alunos nos últimos dez anos;
  5. Há indícios de presença humana em Vila Real desde a Idade do Bonze
  6. Nesta queima vamos aturar (mas um “aturar” com sentido “carinhoso”, claro) o vulto da música portuguesa José Cid;
  7. Paginar uma revista, por mais pequena que seja, dá um trabalho do ca… carago. Ainda bem que esse afazer não é comigo…
  8. E ainda umas outras quantas coisitas.
15
Abr
08

Basta.

Termino um dia intenso de trabalho. O prazer de dar por cumprido um objectivo é equilibrado pela dureza dos dias. Ainda na rádio, a balançar ao som da constante música ambiente, sinto que basta. Basta de conversas e de decisões que ficam pela metade. Basta de dar atenção àqueles que nos correspondem à sinceridade com intenções veladas e que nos vão esvaziando na loucura do quotidiano sem que nos apercebamos disso. Que são actores de si mesmos, que se omitem de identidade em função de objectivos momentâneos e objectos efémeros. E basta de buscar o que não está de momento ao alcance das nossas mãos, quando há tanta coisa que estamos a deixar de agarrar pelo caminho.

Urge definir novas metas, reapontar baterias, dar novos saltos em novas direcções, ajustar a vida numa matriz de permanente mudança e evolução. Dar liberdade aos sonhos que aprisionámos (para não sentir o abismo que há entre eles e a realidade) e deixar a vida tocar novamente as suas canções ao ritmo dos nossos passos. Urge quebrar grilhões e arrancar vendas. Urge valorizar aqueles que nos querem bem e que nos respeitam e deixar o que é secundário para o segundo plano que lhe é reservado. Recuperar para os lugares primeiros do nosso pódio emocional aqueles que, vezes sem conta, cortaram a meta em primeiro lugar. Urge mudar. Urge sorrir. Urge sonhar. Urge Voar. Basta de andar à deriva.

13
Abr
08

Todas as cartas de amor são ridículas

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,

Ridículas. As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

Van Gogh

Tarde: descanso do trabalho Van Gogh

Porque não voltamos ao tempo das nossas cartas de amor? Porque não conseguimos recuperar a inocência perdida, que nos inspirava a alma e libertava de vergonhas e pudores? Sentimos os olhares alheios sobre nós, o peso da expectativa e dos temores. O que era um deleite no passado, derramar emoções belas no papel, envergonhar-nos-ia hoje (vergonha que existe só para justificar a degenerescência dos nossos corações). Mais do que as palavras, tornámo-nos nós, ridículos.

08
Abr
08

Jornalismo, “verdade” e política

Miguel Portas esteve hoje presente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para falar de jornalismo e política, tendo a verdade andado aos trambolhões lá pelo meio. O tema foi de facto pertinente, uma vez que há cada vez mais uma maior promiscuidade entre jornalismo e política, e todos, jornalistas e políticos, pretendem expor a sua “verdade”. Como disse MP essa “verdade” será sempre uma aproximação da verdade, em essência. Se os primeiros estão sujeitos à pressão dos deadlines, do limite de caracteres e ainda de outras pressões como a linha editorial do meio para o qual trabalham (ou dão o sangue a troco de quase nada…), ou mesmo da precariedade da sua situação que permite que, “pisando o risco”, sejam descartados no dia seguinte, os segundos seleccionam criteriosamente as “verdades” a passar para os “adeptos” – laranja, rosa, vermelho, novamente vermelho (talvez um pouco mais claro) ou azul – e para os “indecisos” em função da posição tomada em relação a determinado assunto. As verdades em política assumem mesmo por vezes uma dimensão de histérica loucura, quando quem defende uma “verdade” hoje amanhã defende outra, só para contrariar o “concorrente” que falou mais alto. Ou quando gritam todos tão alto que ninguém percebe mais quem é quem ou está a dizer o quê.

De qualquer forma, este post serve para partilhar que, depois de algumas semanas algo apáticas, retomei hoje o ritmo de trabalho no qual estava anteriormente viciado – com deadlines e objectivos concretos definidos. Com dois trabalhos feitos, um para a rádio e outro para o OPJ, vou abandonar por agora a poesia triste e dedicar-me a outras canções.

06
Abr
08

À mesa do café

Depois de uma manhã e tarde de Domingo dedicadas ao ócio revivo os últimos dias, numa esplanada cheia de vida. Bebo os últimos raios de sol, enquanto escuto a sinfonia das vozes, do som dos patins e das bicicletas das crianças e a música ambiente dos alegres Housemartins.

Escrevo com as forças e o equilíbrio reposto, depois dos dias de abstracção (e diversão) passados em Lisboa. Sozinho no mar de gente sinto-me genuinamente feliz. Penso nos compromissos dos próximos dias, no trabalho e nas ambições pessoais ainda não satisfeitas. Decido correr atrás dos meus objectivos, na esperança de vir a calcar de facto os temores debaixo dos pés. E, enquanto penso nisto, algo se destaca no meu pensamento…

O novo ciclo já começou. A Primavera aparenta chegar de vez, reflecte-se no tempo e no meu espírito. Vou vivê-la com toda a intensidade que me permitirem as forças.

04
Abr
08

Lisbon Revisited

Segundo dia em Lisboa. Começo a sentir o cansaço após tantas horas a correr as ruas movimentadas, mas a vontade é de continuar. Na cidade respira-se vida a cada segundo. Fez-me bem rever os bons amigos que cá estão, o que, conjugado com o tempo de Verão e toda a cor que me envolve, me faz sentir leve como o ar. Depois do Chiado, da Avenida da Liberdade, da Baixa, logo seguir-se-á o Bairro Alto. Apesar da falta de alguns dos que não nos puderam acompanhar, as expectativas não podiam ter sido mais bem correspondidas.

Neste momento, ao anoitecer, busco o momento de solidão a que me obrigo diariamente, aproveitando a pausa em casa para jantar e descansar. A simplicidade das emoções é, no entanto, complexa demais para que as palavras fluam com facilidade. Eles vão, entretanto, chegando um a um, juntando-se a mim no terraço debaixo das estrelas. E decido deixar a escrita para outra altura, neste momento bastam-me eles.

Juju’s Palace, Rua da Graça, Lisboa

03
Abr
08

Estrangeiro

   Convido-te para sentares!

O que lês nos meus olhos? O que procuras tu, com esse jeito envergonhado?

Mostra-me o teu mundo, a realidade ficcionada… Espera! Não fales! Não te percas com letras que formam palavras, que formam frases, que criam mentiras!

Não quero esse mundo, esse já mo foi mostrado!

Pega na minha mão e leva-me para dentro do baú onde guardas os pensamentos mais profundos! Como sentes? Faz-me sentir, o que tu sentes! Não! Com palavras não, já to pedi! Elas mentem…

Deixa-me navegar-te, conhecer o teu mar reencontrar-me na imensidão, descobrir o teu fundo, como é o teu imaginário?

Quero dizer, a tua realidade!

02
Abr
08

O Protestante convicto

Apesar de este blogue se pretender tão-somente um espaço acolhedor dos devaneios do dia a dia, sinto-me na obrigação de deixar uma nota aos companheiros que “questionaram” as, até ao momento poucas, suas referência cristãs.

Sou cristão. Protestante. Evangélico. E, se quiser ser ainda mais preciosista, Baptista-pentecostal. Escolhi-o livremente e hoje faz parte do mais íntimo do meu ser. Dizer que sou cristão é como dizer que me chamo Filipe, que tenho 23 anos, que gosto de escrever e que me presumo jornalista. Não escolhi o anonimato em relação ao meu nome (passa a redundância), jamais o escolherei em relação a algo que não posso nem quero dissociar do resto daquilo faz o “eu” como um todo. E que me orgulha.

Se bebes Voltaire ou Nietzsche eu bebo Paulo (mais uma vez, o apóstolo). Bebo Samuel, bebo o Torah, bebo o Cântico dos Cânticos, bebo o Eclesiastes. Bebo Mateus, Marcos, Lucas, João (os evangelhos). Bebo os Salmos. E com eles bebo ética, poesia e filosofia. E se um dia me ofereceres Voltaire ou Nietzsche, o saber não ocupa espaço, bebê-lo-ei também.

Perguntas-me se a influência cristã não me limita. Não! Liberta-me. Liberta-me pois não me prende com preconceitos. Estar seguro (seguríssimo) de algo permite-me livremente aprofundar outros conhecimentos, sem medo. Pergunto-te: se te oferecer o Torah, ou os Salmos, ou os evangelhos, ou uma epístola de Paulo, bebê-los-ás tão prontamente? E se recusares, a que se deve a tua recusa? Ao preconceito – ou limitação de que me acusas? Ao medo de vir a conhecer algo de que não estavas à espera? Ou temerás no íntimo descobrir algo que, apesar do teu auto-presumido intelecto “melhorado”, te desconstrua? Se do teu ateísmo (pelo qual nunca te critiquei nem trocei) te fazes mais fundamentalista do que eu do meu cristianismo (que nunca te procurei impingir), então és mais religioso do que eu. Acreditas cegamente numa “verdade”, numa “fé”. E és mais “crente” do que eu alguma vez fui.

01
Abr
08

Primavera de alma

Uma esplanada agradável em frente ao parque, o sol quente a queimar-me a face. Por entre um cigarro e um copo de cerveja já um pouco tépida, vou-me deixando invadir pelo calor da Primavera. O meu espírito é volátil, dança ao som das estações. Depois de um Inverno de tempestades mais nocivas do que aquilo para o qual estaria talvez preparado, recebo na alma a luz deste dia claro que traz consigo as boas novas do começo de um novo ciclo.

É curioso como basta um pouco de sol para que as adversidades que nos vão fazendo, por vezes, tropeçar no caminho assumam uma dimensão tão relativa, tão insignificante. Vou fazendo pequenas pausas na leitura do jornal e inclino a cabeça para o céu. De olhos fechados deixo-me com languidez aquecer até não pensar em nada e desfrutar daquele momento como se a própria vida não precisasse de nada mais do que o ócio.

Deixo-me estar um pouco mais, até não poder continuar a ignorar os compromissos e o trabalho. Levanto-me renovado e enfrento o resto do dia com novas forças, carregadas durante aquele instante eterno. E levo o sol já comigo.