Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado
Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós
Carlos Tê / Rui Veloso
Porque insistimos em recuperar aquilo do qual havíamos já abdicado? O que partilhámos perdeu-se no tempo, guardemos as memórias. Também já procurei o regresso aos espaços aonde (julguei) deixara guardada a felicidade. Mas esse néctar residia em mim e lentamente deixei-o jorrar do peito até não restar nada mais do que o vazio. Hoje somos o vazio um do outro, uma soma de ausências e de mágoas que nos alimentam o fel. Não te contemplo uma última vez. Abandono-te e retomo noutro tempo, noutro lugar, a senda da felicidade.










Adorei este poema de Carlos Tê e Rui Veloso, que não conhecia. Revejo-me bastante nele e também naquilo que escreveste. Também senti o mesmo. E sinto sempre que insisto em cair neste erro.
Gostava de ouvir a música que “preenche” ou é “preenchida” com esta letra.
Parabéns!