Após 6 dias em coma (já está bem) o meu pai, um eterno votante ora da CDU, ora PS, acorda e pergunta se “o Portas” ganhou.
Não sei se, nos piores momentos, viu alguma luz, mas regressou, certamente, mais iluminado.
Após 6 dias em coma (já está bem) o meu pai, um eterno votante ora da CDU, ora PS, acorda e pergunta se “o Portas” ganhou.
Não sei se, nos piores momentos, viu alguma luz, mas regressou, certamente, mais iluminado.
A minha colega de redacção confidenciou-me que vai comprar um pássaro, como animal de estimação. Simplesmente «pássaro».
Um perfeito disparate. Um ficus tem mais personalidade do que a passaroca criatura – não faz barulho, não defeca, não transmite a gripe das aves e só precisa de água e sol para viver.
Enfim, coisas da Primavera.
Caríssimos vizinhos do 3º andar:
Gostaria de partilhar convosco um pensamento que me ocupou (e desocupou o sono) nas últimas noites por longos – e admiráveis – minutos.
Não me entendam – peço-vos – por lamechas, mas gostaria de vos falar de Amor. Da sua louvável prática, neste caso.
Não me presumais, também, intrometido. Mas quando a intimidade alheia nos invade sem pedir permissão o espaço e o merecido descanso, concordareis que essa linha que nos rodeia e guarda a privacidade já foi, de qualquer modo, ultrapassada.
O Amor – a sua prática – é porventura a mais prazerosa das acções humanas, com tanto de prazerosa como de privada. Não me cabe – como certamente concordareis – controlar, sobretudo contra a minha vontade, os tempos e os momentos de tão respeitável acção.
Gostaria, portanto, de vos instar a reflectir sobre algo de superior importância para um acto que se pede discreto, por um lado, e prazeroso, por outro, nestas coisas do Amor – a lubrificação. Não me interpretais mal, por favor. Refiro-me, naturalmente, à lubrificação do leito metálico que, como já tereis constatado, não partilha da vossa discrição.
Rogo-vos, portanto, que trabalheis no sentido de silenciar tão indiscreto objecto que, nos momentos em que reina já o sono, o rouba de novo à vossa respeitável vizinhança.
Em alternativa, podereis também adquirir por módico preço (não me tomeis por vendedor de móveis, que não sou – somente um vizinho com muito sono) um novo leito, mais novo, feito de materiais mais discretos, que promova para melhor a vossa vida e a dos restantes habitantes deste prédio.
Peço, desde já, as mais sinceras desculpas caso esta singela carta vos tenha de algum modo perturbado. De qualquer forma, não o creio.
Atentamente,
O Vizinho.
Aos amigos, família, desconhecidos e afins lembro que não é necessária tanta excitação logo à noite, que para o solstício de Inverno já vão tarde. De qualquer forma, desejo que o bacalhau esteja suculento e o polvo se apresente tenro.
E lembrem-se do verdadeiro espírito desta noite: enviar mensagens uniformizadas a todos os contactos da lista do telemóvel até que a tecla verde fique gasta.
Bem haja, até p’ró ano!

Reza a lenda que certo cavaleiro romano encontrou, num dia frio e chuvoso, um mendigo quase nu, com frio e encharcado. Com pena, com a espada rasgou a capa ao meio e deu metade ao mendigo, para se aquecer e resguardar da chuva. Logo de seguida, dissipou o mau tempo e fez-se um belo dia de sol.
Tivesse o cavaleiro mais sorte e o sol teria descoberto uns minutos mais cedo…
Ornatos Violeta – Capitão Romance
O Governo vai baixar em 5% os salários da FP superiores a 1500 euros.
Será que as matilhas que, de facto, mandam no País vão deixar?
Irrita-me solenemente aqueles que cortam, colam, rearranjam ideias, declarações, palavras. Que o fazem para ficar ora mais bonito, ora mais interessante – sobretudo mais polémico. E esquecem-se do dever: a verdade. Essa cai perante a força da ideia mais impressionante, do argumento mais agressivo, de uma realidade mais ultrajante – mas falsa.
E assim vão fazendo a vida e os cobres pseudo-informadores, dadaístas de uma informação com “i” cada vez mais minúsculo, mais impressionante, mais falsa e, sem dúvida, mais pobre.
É uma dança de desprazer em que te embalo nos braços, com o gosto e a paixão de um dia morno. E tu lá vais conjugando e cantarolando frases bonitas, que já não me dizem nada.
A perguntas banais, respostas sem sentido. Canções sem vida e sem memória. Mas lá continuamos, por hábito, nesta troca de vazios cada vez maiores.
É só uma dança de desprazer, em que nos vamos enganando os dois.
Eu digo
Tu dizes
Ele acrescenta um ponto
Nós dizemos
Vós não sabeis o que dizeis
Eles contam
As hospedeiras da Air Comet despiram-se de preconceitos e de tudo o resto, em protesto contra os salários em atraso devidos pela companhia aérea que, recentemente, declarou falência.

Pede-se às restantes companhias que sigam o exemplo e que, por sua vez, atrasem os salários das suas colaboradoras por uns mesitos.
Nunca uma editora saída das caves Baptistas, infestadas de pós-adolescentes, produziu tão (e tanta) boa música. A bem da verdade, não conheço outra, mas percebem ideia.
Salve, Flor Caveira.
ps: para os distraídos, o senhor aí de cima chama-se Samuel Úria e também o podem ler aqui.
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